De surpresa, no Algarve, demos de caras com um GS-F: um candidato a brilhar no território onde os Premium da Alemanha ditam sentenças, com o direito à diferença de se manter fiel a um encorpado motor aspirado.  Uma bela surpresa, em mais do que um sentido, que aqui partilhamos.

E se de repente lhe disserem que tem um GS-F à sua espera para desfrutar do Autódromo Internacional do Algarve? Não nos passaria pela cabeça recusar esta surpresa que a Lexus reservou para os jornalistas que participaram na jornada “Amazing in Motion”, destinada a demonstrar os novos modelos que vão ser colocados à venda no mercado nacional no imediato (ver caixa). O GS-F é, porventura, o que menos dependerá de um calendário fixo: quem o quiser encontrará, seguramente, uma forma de o encomendar na rede nacional Lexus, contando que terá que fazer contas a um investimento a rondar os 130 mil euros. É precisamente entrar num território dominado por um BMW M5 e onde a Mercedes terá uma nova versão AMG, mais leve e tecnologicamente evoluída, para posicionar nesse patamar de preço. O GS-F reivindica o seu direito à diferença, primeiro por um apuro visual que não chega a entrar no campo da extravagância (a maxila amarela nos travões é, talvez, o que mais depressa o denuncia), mas essencialmente pelo que coloca debaixo do capot: um oito cilindros sem sopro adicional, naturalmente aspirado, cheio de alma e cheio de presença sonora. É de tal maneira um encorpado que se dispensa a modulação artificial para potenciar o ruído de escape desportivo. Não faz falta. E quem quiser variar de sinfonia deve preferir desfrutar de um sublime conjunto de 17 altifalates Mark Levinson com propagação 3D, para o qual terá que pagar uma certamente generosa quantia. Mas disso trata quando tiver a documentação de encomenda na sua mão. Agora queria cativar a sua atenção para o que se passou no Autódromo Internacional do Algarve, em cuja pista testámos os primeiros GS-F a pisar solo nacional (vieram de Espanha, são pré-séries e, antes de nós, cá no país, só lhe tocaram os técnicos da Lexus e do AIA). Equipado com uma caixa automática com conversor de binário, de oito velocidades e desenvolvimento interno, mais parece que o GS-F tem um acomplamento de dupla embraiagem. As passagens são rápidas, muito rápidas em modo Sport+ com utilização das patilhas no modo manual-sequencial. A resposta ao acelerador é tão pronta que até se sente brusca quando se agiliza a transição travão/acelerador, típica da condução em circuito. A reação aos comandos e à direção é tão rápida quanto surpreendente, por força de uma bem trabalhada rigidez à torção e de um peso convenientemente mantido “baixo” (1830 kg, menos 40 kg que um M5) para potenciar esta agilidade. Mas o GS-F é, primeiro e acima de qualquer outra coisa, um automóvel familiar. Nunca chega a ser realmente desconfortável ou ridiculamente seco de suspensão. Até produz mais rolamento de carroçaria, mas curiosamente faz tudo com uma fleuma tão simples e tão diferente dos rivais alemães E isto acaba por ser, também, o exercício do seu direito à diferença: um tipo diferente de berlina desportiva que potencia o ideal do compromisso entre o eficiente e o confortável. Não é uma ida ao ginásio, mas já o faz suar da testa; não é um foguete, mas já cola as costas ao banco; não tem turbo, não tem uma fabulosa disponibilidade de binário a baixas rotações, mas “explore” o motor acima das 4000 rpm e não vai sentir preguiça em nenhum dos 477 cv. Em circuito, pelo menos, resulta tudo muito fácil e bem.

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