Com o novo IS300h, a Lexus pode gabar-se de ser a única marca no mundo com um modelo híbrido em todas as gamas. A marca japonesa abdica do motor a gasóleo do ex-IS220d e reforça a aposta numa tecnologia que tem provado ser a maior aposta do Grupo Toyota. Este IS300h chega a Portugal em setembro e o Autohoje já o conduziu.

A terceira geração do Lexus IS (Inteligent Sedan), que pisará solo luso já no próximo mês de Setembro, promete muito mais que as anteriores, abdicando por completo das motorizações a gasóleo e apostando fortemente numa solução híbrida que assenta na segunda geração da tecnologia LHD (Lexus Hybrid Drive). Os preços anunciados para o IS300h (o única que vai ser comercializado entre nós) são competitivos, começando nos 38 mil euros da versão de entrada Business estendendo-se até aos 46 519 euros do F-Sport. Pelo meio ficam os 40 250 euros da versão Executive, aquela em que a marca mais vai apostar.

O IS é um automóvel totalmente novo. Senão vejamos. Tem mais 80 mm de comprimento que o anterior (cresceu 70 mm só na distância entre eixos), mais 10 mm de largura e mais 5 mm de altura. Mas as diferenças não se ficam por aí. O design é moderno e dinâmico e a reduzida altura ao solo, em conjunto com vias mais largas, revelam um automóvel de aparência quase desportiva. No habitáculo, o IS também mudou e muito. Sobressai a colagem estética aos novos GS e LS e uma qualidade de construção e de materiais que deixa o antecessor a anos luz.

O 300h passa a contar com os préstimos de um novo 4 cilindros de injeção direta a gasolina de 2,5 litros, ciclo Atkinson, tecnologia Dual VVT-i e 181 cv de potência. Este é auxiliado por um motor elétrico de 143 cv e 300 Nm. A potência combinada é de 223 cv que são controlados eletronicamente pela “caixa” E-CVT (na prática, é um trem epicicloidal com relações altas e baixas), possibilitando uma média de consumo anunciada de 4,3 l/100 km e emissões de CO2 de 101 g/km. Para alimentar o sistema híbrido, a Lexus reposicionou a bateria de NiMh por baixo do piso da bagageira. Esta solução tem a vantagem de não interferir na volumetria da mala (450 litros) e de permitir uma distribuição de pesos de 50/50.

Modo “furtivo”

Começámos o nosso périplo pela Austria rural ao volante da versão Executive com jantes de 17”. Depois de bem sentados aos comandos (bons bancos, rebaixados 20 mm, e volante ergonómico totalmente na vertical), o IS300h arranca em completo silêncio e quando selecionamos o modo EV, pode continuar no modo de deslocação “fantasma” por mais dois quilómetros, desde que não se excedam os 50 km/h. Ultrapassado esse patamar, o 2.5 dá sinais de vida e volta à carga. A ausência de ruídos e vibrações é um bem-vindo upgrade face à geração anterior, ainda que a insonorização continue a não ser perfeita. Basta que a passagem de caixa seja feita num patamar de rotação mais elevado para se tornar mais evidente o quatro cilindros. Ainda assim, a Lexus tentou resolver o “problema” e desenvolveu o Active Sound Control (ASC), um sistema que recria a bordo o ruído de um V8 e que é capaz de atenuar o rumor menos interessante do motor original.

É evidente o desembaraço do IS300h, que o tornam fácil de guiar e de utilizar, mas ficamos sempre com a sensação de que os 223 cv sabem a pouco. Os 8,3 segundos anunciados nos 0-100 km/h são o primeiro sinal do desfasamento entre as prestações e a potência anunciada, depois, ao volante, sente-se a falta de algum vigor em determinadas situações de trânsito. O conforto é a nota dominante, mas se enveredarmos por um encadeado de curvas o novo IS300h revela as melhorias dinâmicas conseguidas na suspensão e direção. Até a cuidada aerodinâmica contribui para este apuro na condução. A direção transmite mais informação do que no IS anterior mas o comportamento é sempre seguro e progressivo... até o ESP se fazer sentir. O IS300h parece destinado a zelar pelo bem-estar dos ocupantes. Por vezes mais vale ser desportivo só na imagem.

 

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