Com os novos Jaguar XF, Volvo S90 e Mercedes Classe E, o BMW Série 5 ficou sob pressão em todas as frentes. A resposta a este ataque é a sétima geração do Série 5, que enfrenta aqui a plenitude dos seus concorrentes, incluindo o Audi A6, todos com motores dois litros Diesel.

A competição apura a raça. Ora, com o Jaguar XF a querer tomar o lugar do BMW série 5 como a referência de comportamento do segmento, o Volvo S90 a focar a atenção no ambiente tecnológico e na qualidade dos detalhes, e a Mercedes a reclamar para o seu Classe E o estatuto do carro mais confortável, evoluído e eficiente de sempre, a resposta da BMW tinha de ser exemplar, até porque, apesar de ser (agora) o carro mais antigo do segmento, o Audi A6 está longe de estar ultrapassado e tem o trunfo de ser proposto com preços atrativos.

Muita tecnologia

Foi a aposta pioneira da Audi na utilização das estruturas de alumínio coladas e rebitadas, que combinam elevada rigidez e baixo peso, que permite ao A6 ainda estar atual. Hoje, todos os carros deste segmento otimizam a utilização dos materiais. Em concreto, o Jaguar XF aposta no conhecimento da marca no alumínio e é quase todo feito neste metal (exceto a secção traseira), enquanto o BMW, o Mercedes e o Volvo usam mais os aços moldados a quente de ultra alta resistência, deixando o alumínio para zonas específicas da estrutura e para algumas peças da carroçaria. No caso do BMW, o capot, as portas, o tejadilho e a tampa da mala são em alumínio.

Chegando mais tarde e com a responsabilidade de devolver à marca a superioridade dinâmica associada, o novo BMW Série 5 também é o que mais opções de configuração de chassis oferece, desde uma suspensão de amortecimento variável preditivo (1230€) até à direção ativa às quatro rodas (1300€). Por seu turno, o Audi A6 e o Mercedes Classe E respondem com a possibilidade de montar suspensão pneumática, algo que o Volvo S90 só permite no eixo traseiro em conjunto com o amortecimento ativo Four-C, enquanto o Jaguar XF pode ter amortecimento pilotado.

Preço e equipamento

Com os motores dois litros Diesel de potência compreendida entre os 180 cv do Jaguar XF 20d e os 194 cv do Mercedes Classe E 220d (os outros três têm 190 cv) acoplados a caixas automáticas, os preços de entrada variam entre os pouco mais de 52 000€ do Volvo S90 D4 Geartronic e os 59 200€ do Mercedes E220d, estando os 55 337€ do Jaguar XF 20d Auto, os 55 960€ do Audi A6 2.0 TDI 190 S-Tronic e os 56 903€ do BMW 520d Auto no meio desse intervalo. O Audi, o BMW e o Jaguar podem ser adquiridos com caixa manual por um preço cerca de 2500€ inferior à versão automática, mas essa é a única vantagem dessa opção.

Mas estes são valores puramente teóricos, pois colocar qualquer um destes carros no seu devido esplendor obriga a investir entre 10 000 a 20 000€ em opções. Neste jogo, o Volvo mostra ser o que tem a melhor relação preço/equipamento, embora o BMW 520d se destaque por ter preços muito convidativos em algumas opções de tecnologia e conectividade, incluindo ainda “Hotspot WiFi” com cartão SIM utilizável de série, bem como duas câmaras estéreo que servem de base à maior parte das ajudas à condução que pode montar. Por falar nestas, o Volvo S90 também é o que vem com o pacote de segurança ativa de série mais completo, incluindo já sistemas como a travagem ativa em cidade com reconhecimento de peões, algo que no Jaguar e nos três alemães é sempre opção a pagar.

 O Volvo é especial

Entrar em qualquer um dos nossos cinco magníficos é uma experiência marcada pelo toque de bons materiais e o cheiro do couro. De resto, pelos valores das unidades ensaiadas todos possuem bancos integralmente em pele (sintética) com regulações elétricas, mas as poltronas desportivas do BMW e do Volvo ainda estão um degrau acima nesta escala de excelência. Todavia, existem diferenças. Por exemplo, o desenho do habitáculo do XF é demasiado simples e não consegue colocar em evidência a nobreza dos materiais. Da mesma forma, e mesmo sabendo que todos possuem dezenas de combinações de cores, materiais e texturas disponíveis, e que a qualidade e o luxo são bem evidentes nos três germânicos, a verdade é que nenhum dos outros quatro consegue criar um ambiente tão requintado, moderno e quente como o do Volvo V90, que também é, de longe, o que tem mais espaço disponível no habitáculo, sobretudo nos lugares traseiros, um aspeto em que o novo Série 5 ganhou imenso e se coloca ao nível do Jaguar XF.

Dito isto, outra das evoluções do Série 5 é o sistema de infotainment, que está ainda melhor, mais rápido e mais intuitivo (o iDrive é, de longe, o melhor e mais preciso comando), acrescentando até a novidade dos comandos por gestos, os quais, em abono da verdade (pelo menos nesta fase), funcionam mais como um gadget para impressionar os amigos, um pronúncio do futuro ou um teste de aceitação dos clientes, do que, propriamente, um passo à frente em matéria de utilidade real e prática. Comparativamente, o sistema Comand do Classe E possui demasiados comandos duplicados, triplicados e até quadruplicados, com o botão rotativo, o ecrã tátil, o touchpad central e os dois mini touchpad no volante, resultando confuso e pouco intuitivo. A interface do Jaguar, na sua versão mais evoluída, não está longe da BMW, mas falta-lhe um iDrive, sendo, à semelhança do Volvo, integralmente controlado no ecrã central tátil, enquanto o Audi A6 paga a sua veterania com um ecrã pequeno e uma série de botões para aceder às funções, o que resulta num tato mais analógico, o que até pode ser do gosto de alguns potenciais comparadores.

Por fim, o Sensus do Volvo. A sua lógica de tablet combinada com o minimalismo de botões físicos que permite cativam, mas alguns comandos são algo pequenos e obrigam o condutor a desviar demasiada atenção da condução.

BMW rei da dinâmica

Com direções leves, suspensões confortáveis e modos de condução eficientes bem parametrizados, incluindo modos vela sempre prontos a entrar, o Mercedes e o Volvo são os mais fáceis de conduzir em cidade, muito embora, quem não se importar de ter de mover uma direção ligeiramente mais pesada até possa preferir o BMW, pois a ZF de oito velocidades (nesta evolução) é a mais suave das caixas, sendo aquela que permite um andamento mais fluido; e a insonorização é excelente. Em oposição, o Jaguar tem no motor ruidoso e áspero um companheiro demasiado impositivo. Entre as unidades ensaiadas, o Audi e o Volvo contam com vidros laterais acústicos laminados, pelo que as suas mecânicas também não se intrometem no sossego do habitáculo (apesar do motor do Volvo ser o mais ruidoso ouvido de fora). Em contrapartida, o TDI do Audi é o único capaz de emitir uma sonoridade levemente desportiva em aceleração forte, e a sua caixa de dupla embraiagem permite uma proporcionalidade de resposta aos movimentos do acelerador que, entre as caixas rivais de conversor de binário, só a ZF do BMW consegue igualar.

Aumentado o ritmo, depressa se percebe que os carros que melhor correspondem ao pedido são o Audi, o BMW e o Jaguar. O Mercedes até tem o motor mais forte e recordista folgado nos consumos (ao ponto de dar para ver a menor rapidez com que desce o indicador de nível do depósito), associado a por um chassis envolvente que se pode ajustar com o acelerador, ao passo que o Volvo, nesta versão com a suspensão Four-C, consegue gerar muita aderência e curvar depressa com toda a serenidade, mas ambos exigem mais tempo e planeamento para responder às ordens do volante, principalmente para passar de um apoio ao outro, revelando ainda um controlo de carroçaria menos preciso e uma entrada mais frequente dos controlos de estabilidade e tração.

O controlo de carroçaria e o amortecimento, a par com o tato da direção, são precisamente os pontos fortes do jaguar XF, que se move sempre de forma fluida e nos faz sentir em contacto com a estrada. A caixa tem um excelente modo manual, mas nem assim se conseguem ultrapassar as limitações do motor, que parece sempre mais preso que os outros e tem uma banda de utilização mais curta, que não gosta muito de ser obrigado a rodar acima das 3500 rpm.

Assim, a decisão para a berlina executiva mais eficaz e capaz de proporcionar mais prazer de condução fica resumida ao A6 2.0 TDI e ao BMW 520d. O Audi é ágil e o modo mais desportivo da suspensão pneumática mantêm o rolamento de carroçaria reduzido, mas o novo BMW é, simplesmente, melhor. A carroçaria e as rodas raramente são apanhadas fora de fase, ao passo que a caixa é exímia na rapidez e fluidez em modo manual. Depois, o 520d mostra menos inércia e uma relação mais linear entre os movimentos do volante e a resposta do chassis.

Escolha múltipla

O grande vencedor é o BMW 520d, que está muito mais confortável, mais refinado (insonorização e compromisso suavidade/rapidez da caixa excelentes) e não perdeu nada do prometido prazer de condução, mas, entre outras coisas, o seu desenho demasiado evolutivo e previsível deixa espaço aos rivais, até porque cada um deles tem pontos em que se destaca. O Mercedes é um paradigma de conforto, facilidade de condução e eficiência (é o que anda mais e gasta menos), sem deixar de ser interessante de conduzir, aspetos em que o Volvo também joga forte e acrescenta a cartada do (extremo) bom gosto do espaçoso habitáculo. Por fim, o Audi é o único que oferece suspensão pneumática por um preço inferior a 58 000€, e o Jaguar possui um tato de direção e um equilíbrio de chassis únicos. Enfim, escolhas de qualidade para todos os gostos...

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