Sandro Meda

Clímax pausado

Imensos compradores e uma maioria de leitores anseia por conhecer, ler e experimentar novos SUV, para, como objetivo final, comprar o seu primeiro veículo deste tipo polivalente com genes de jipe, ou trocarem o que já têm. Outros observadores questionam, primeiro, o porquê da “obsessão” pelos SUV, que dominam sistematicamente a agenda das novidades automóveis, para, depois, entenderem que, independentemente do entusiasmo por uma determinada tipologia automóvel compete-nos a divulgação, e distingue-nos a análise, de todos os novos modelos lançados no mercado; mais ainda se forem as novidades de que a maioria quer saber: hoje, os SUV, estão no auge e são a categoria com maior crescimento de vendas. Mas este sucesso, que hoje parece incontornável, não foi planeado. É resultante de inúmeros fatores, quase todos imprevistos. O formato SUV, considerado universalmente como o “canivete suíço dos automóveis”, porque dá para tudo, recuperou o entusiasmo dos anos 80 e 90 quando, no virar do século, a prosperidade ressuscitou esta fórmula, tradicionalmente mais dispendiosa e abrutalhada, num formato de luxo, mais dinâmico e elegante. Depois, há exatamente uma década, enquanto a chegada da crise refreou o investimento de muitos construtores nos SUV em prol de formatos menos arriscados (alguns ainda não recuperaram da decisão receosa) outros, com referência na Nissan, mantiveram o plano A (o Qashqai), que não só a alimenta ainda hoje, como também ajudou a financiar o plano B, o Leaf, precursor da normalidade elétrica. 

Agora, a nossa realidade automóvel pauta-se pelo apuramento diário destas duas tendências, aparentemente antagónicas, numa luta paralela entre a emoção e o politicamente correto, com uma pitada de ousadia aqui e ali e um embrulho de incerteza a toda a volta.  Estamos, portanto, como sempre na condição humana: o ponto ideal para os apaixonados alimentarem o entusiasmo por um amanhã ainda mais refinado; e para os inconformados incitarem com a mesma força uma nova era, porque todo o clímax precisa de uma pausa para se reinventar.

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