Sandro Meda

Do lixo para o lava-louça...

Que bom. Bruxelas volta a lembrar-se de Portugal em matéria automóvel. Diz que temos de trabalhar juntos pela integração, e equidade dos concidadãos. Desta vez selecionou duas das nossas autoestradas para programas piloto de condução autónoma. Escolha “sábia”: as vias portuguesas são calmas, comparativamente ao fluxo europeu transfronteiriço, o que facilita experiências sem grandes distúrbios; o poder local, por causa tão nobre e vanguardista, prestará, certamente, apoio incondicional. E, afinal, que melhor local para experiências de condução autónoma, senão num feudo de autómatos?

Não é a primeira vez que somos bafejados pelo carinho de Bruxelas que, preocupada com o nosso bem, impõe há décadas as mais variadas normas, obrigações, limitações e imposições: das  categorias das cartas de condução aos valores estratosféricos das coberturas dos seguros (recentemente inflacionados para seis milhões de euros), passando pelas inspeções, normas de circulação, transporte de mercadorias e, claro, as emissões, que alguns municípios, como Lisboa, utilizam à medida do que lhes dá jeito para justificar empreitadas... jeitosas. A verdade é que são poucos os temas automóvel em que Bruxelas não tenha metido o bedelho. Mas sempre para o mesmo lado, desfasada da realidade nacional, e sem ponderação com os índices de vida face ao dos países que servem de bitola: do preço da energia (combustíveis ou eletricidade) à carga fiscal automóvel, passando pela idade do parque circulante, classes de portagem ou pela vergonhosa dupla tributação que Bruxelas finge tentar resolver há 30 anos. Para os automobilistas nacionais, a Europa começa, efetivamente, em Vigo.

Consta que saímos do lixo, mas quando muito só estamos de volta ao lava-louça.

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